Nota Pastoral: “Jovens: pedras vivas na construção da Igreja”

Neste ano em que toda a Igreja se prepara para celebrar um Sínodo centrado na realidade dos jovens que dela fazem parte, e em que a Igreja em Portugal declara um ano especial consagrado à missão, a nossa Igreja de Setúbal deseja partilhar de ambas as dimensões, dedicando os próximos dois anos à missão dos jovens e entre os jovens, a partir da nossa realidade diocesana.

Esta atenção especial à juventude pretende dar continuidade ao percurso do biénio consagrado à família e à Igreja como família de famílias. De facto, em cada família, os filhos são os que mais atenção e cuidado suscitam, tanto pela sua necessidade de apoio, como pela esperança, preocupação e alegria que geram nos pais, no percurso do próprio crescimento e da capacidade para assumir responsabilidades. Como mãe atenta e carinhosa, a Igreja é chamada a assumir essa atitude para com as suas crianças, adolescentes e jovens, em cada uma das suas comunidades.

Por isso, a primeira palavra que desejo dirigir é a cada uma das nossas comunidades e aos que as orientam: párocos, diáconos, catequistas e outros responsáveis. Acolham com alegria e carinho os vossos jovens. Acolham-nos com as suas inquietações e rebeldias, as suas ansiedades, sonhos e também incoerências – estão a crescer! – pois é assim que fazem os verdadeiros pais e irmãos. Partilhem com eles a fé e o serviço que vos anima e não deixem de os desafiar a participar, a aprofundar os motivos da própria fé e a partilhá-la com os outros. Não lhes mostrem um olhar paternalista, mas de verdadeiros pais, mães, padres, irmãos e irmãs. Deem-lhes espaço na vida da comunidade, nas suas dinâmicas e serviços, nos grupos de direção e de responsabilidade, na liturgia, no serviço aos mais necessitados, na missão dirigida aos que estão fora. É assim que havemos de ser instrumentos do Espírito de Deus para revestir de juventude a nossa Igreja e preparar, com os jovens e para os jovens, a Igreja de amanhã.

Aos movimentos e organizações juvenis presentes na Diocese, apelo para que enriqueçam a nossa Igreja e a sua missão com a variedade e a força dos vossos carismas. Mas recomendo que não sejam seitas autocentradas em si mesmas. Sejam Igreja, família de irmãos e irmãs, abram-se aos outros e sejam força de vida e de evangelização, em comunhão com esta Igreja e com a equipa de Coordenação Diocesana da Juventude. Juntos faremos uma grande diferença e, sobretudo, partilharemos a nossa fé e daremos um testemunho válido e credível de unidade, na riqueza da diversidade que o Espírito de Deus cria na sua Igreja.

Mas é sobretudo aos jovens que me dirijo: Sejam pedras vivas na construção da Igreja e na edificação do mundo de amanhã!

Não se deixem levar por messianismos populistas, sectários, violentos e criadores de exclusões. Sejam gente comprometida e livre, pois foi para a liberdade confiante e criativa de filhos e filhas de Deus, irmãos e irmãs na Igreja, que Cristo vos chamou e libertou. Sejam livres – evangelicamente livres – para se abrirem aos outros e partilharem com eles os dons de Deus:  a fé, o saber, os projetos, a esperança, a vida.

Este biénio da nossa Igreja de Setúbal e o fruto do Sínodo que está para começar em Roma, vão depender fundamentalmente de vocês, da vossa adesão, da vossa colaboração, do vosso compromisso e trabalho em comum. Não fiquem só a ver, apreciar e criticar. Tomem, ativamente, parte neste processo de transformação. Não se deixem desanimar pelos saudosistas do passado que querem que o tempo volte para trás, pelos que criticam e nada fazem, pelos que não deixam espaço para que outros intervenham no futuro que é de todos, mas sobretudo vosso.

Esta Igreja e este mundo precisam de vocês: de vocês que têm dúvidas e que buscam, de vocês que sentem raiva de tantas coisas que se passam nas nossas comunidades e no mundo que está a mudar, de vocês que têm sede de autenticidade, mesmo quando sentem a incoerência própria e dos que os rodeiam; de vocês que anseiam por um mundo mais justo, mais fraterno, mais ecologicamente limpo, mais aberto à esperança da dignidade e da paz para todos… porque é assim que Deus quer precisar de vocês para mudar e melhorar este mundo, onde hão de viver vocês e os vossos filhos. Sois chamados – vocacionados – por Deus para colaborar com o seu Espírito na transformação da Igreja e do mundo.

Como ponto de referência, coordenação e dinamização deste caminho juvenil da nossa Igreja, foi criado o Departamento da Juventude da Diocese, presidido pela Coordenadora Diocesana Inês Sofia Domingues Costa Baptista, uma equipa de jovens e o Assistente Diocesano, Pe. João Luís Nabais Dias,coadjuvado pelo Pe. João Paulo Gomes Duarte.
Esta equipa articulará e coordenará o próprio trabalho com as outras dimensões da Pastoral da Juventude, nomeadamente a Pastoral das Vocações e a Pastoral Universitária, bem como com movimentos como o CNE, os Convívios Fraternos e outros.

Compromisso, Bênção e Envio da Equipa Diocesana - Foto Diocese de Setúbal

Compromisso, Bênção e Envio da Equipa Diocesana, igreja de Palhais Foto: Diocese de Setúbal

O Departamento tem estado a trabalhar há já algum tempo e elaborou um Itinerário de ação de Pastoral da Juventude e Vocações para os próximos dois anos, que está a ser apresentado aos diversos organismos diocesanos, onde se incluem, necessariamente, as paróquias e vigararias. Agradeço vivamente a disponibilidade de todos os elementos desta Equipa, e peço ao Senhor que os ilumine com o seu Espírito neste caminho que vão orientar e coordenar. Peço igualmente a todos os responsáveis pastorais, a melhor colaboração no delinear dos projetos e na sua concretização.

Dentro deste projeto, inclui-se também um programa de Visitas Pastorais do Bispo às Paróquias e Vigararias, que terão como especial ponto de referência a realidade juvenil em cada uma delas. A metodologia de preparação e de realização destas visitas está a ser preparada com as comunidades interessadas, dentro de um programa que se estenderá pelo biénio, e provavelmente para além dele. Espero que sejam ocasião de escuta do Espírito de Deus que nos vivifica e nos move para a missão, particularmente entre os jovens.

Neste ano, especialmente marcado pelo Sínodo e pelo chamamento à missão, queremos viver a atenção pastoral aos jovens, em comunhão com toda a Igreja e em espírito missionário: missão dirigida aos jovens, mas igualmente e sobretudo, missão dos jovens para outros jovens. O itinerário que está a ser apresentado tem sempre presente essa dinâmica de acolhimento dos jovens, da partilha comunitária, mas igualmente da partilha missionária.

Que o Senhor, Bom Pastor e Mestre, a todos nos ensine a colocarmo-nos na atitude de discípulos, que acolhem a sua voz que nos chama, cada um segundo a sua vocação, a responder com generosidade e alegria, para participarmos, como pedras vivas, na edificação da sua Igreja e na sua missão no mundo.

+ José Ornelas Carvalho SCJ
Bispo de Setúbal

 

[Nota pastoral do site da Diocese de Setúbal
30 setembro 2018]

Bispo de Setúbal instituiu novo Departamento da Juventude

O Bispo de Setúbal instituiu, hoje, dia 30 de setembro, o novo Departamento da Juventude da Diocese de Setúbal, no intuito de dar um novo impulso à pastoral juvenil e vocacional diocesana.

Para coordenar este departamento, D. José Ornelas nomeou a jovem Inês Costa Baptista, acompanhada de uma equipa coordenadora, permanecendo como assistente o anterior diretor do secretariado diocesano, Padre João Nabais Dias, acompanhado pelo Padre João Paulo Duarte.

Também hoje, na Paróquia de Palhais (Santo António), na Eucaristia presidida pelo Bispo diocesano, teve lugar a bênção e envio da equipa nomeada, assinalando-se o início de um biénio que a Diocese de Setúbal vai dedicar à Juventude.

Também no dia de hoje, D. José Ornelas publicou uma nota pastoral - “Jovens: pedras vivas na construção da Igreja” – onde se dirige aos jovens e interpela os responsáveis, nas diferentes realidades juvenis da Diocese: comunidades, grupos e movimentos.

Decreto de Instituição e Nomeação

José Ornelas Carvalho, Bispo de Setúbal, no intuito de dar novo impulso à coordenação da pastoral juvenil e vocacional, no âmbito diocesano, institui o Departamento da Juventude da Diocese de Setúbal, encarregado de coordenar e traçar vias de convergência e colaboração entre os diversos organismos e movimentos juvenis católicos, que desenvolvem a sua atividade nesta Diocese e de colaborar com as paróquias e vigararias, para que o Evangelho do Senhor seja, para os nossos jovens, luz e semente de vida e missão, na Igreja e na sociedade.

Bispo e nova coordenadora - foto Diocese de SetúbalPara dirigir este Departamento, o Bispo diocesano nomeia:

Coordenadora Diocesana:

Inês Sofia Domingues Costa Baptista

Membros da Equipa Coordenadora:

Ana Lúcia Correia Agostinho
Ana Margarida Franco Silvestre
Ana Maria Machado Campaniço Ferreira dos Santos
Bruno Manuel Máximo Cardoso Leite
João Manuel Jordão Castanho
Tiago Martins Santos Costa Baptista

Assistente Diocesano:

Padre João Luís Nabais Dias, coadjuvado pelo Pe. João Paulo Gomes Duarte.

Que o Bom Pastor assista, com a luz e o dinamismo do seu Espírito, os membros deste grupo agora nomeados, para que, como seus discípulos e apóstolos, pela palavra e pela ação, dêem testemunho do Evangelho e sejam expressão do cuidado acolhedor e missionário da Igreja que os envia.

Setúbal, Cúria Diocesana, 30 de setembro de 2018

O Bispo, D. José Ornelas Carvalho
O Chanceler, Padre Horácio Noronha

Nota biográfica da Coordenadora do Departamento de Pastoral da Juventude da Diocese de Setúbal:

Arquivo -  Inês Batist e família

Inês Costa Baptista tem 30 anos, nasceu e cresceu em Setúbal e atualmente vive em Aires, Palmela. É casada e tem uma filha. É formada em Sociologia, com Mestrado em Educação, pelo ISCTE, mas trabalha como gestora de contas num banco de investimento. Fez a sua formação católica inicial na comunidade franciscana da Capela de Nossa Senhora dos Anjos, Ordem Terceira, Setúbal. Foi escuteira do CNE, fez equipas nos Convívios Fraternos da Diocese e é membro da equipa do secretariado diocesano da Pastoral da Juventude desde 2013. Participou nas JMJ 2016, na Polónia.

[Informação do site da Diocese de Setúbal, 30 setembro 2018]

Sé de Setúbal na exposição «Na Rota das Catedrais»

A imagem de Santa Maria da Graça da Sé de Setúbal é uma das peças que pode ser visitada na exposição «Na Rota das Catedrais: Construções (d)e Identidades», até 30 de setembro, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.

Na Sé de Setúbal a imagem de Santa Maria da Graça está a 4 metros de altura mas na exposição podem-se observar diversos pormenores da peça do séc. XVI (1.º quartel), de autor desconhecido.

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(Foto: Agência Ecclesia/Manuel Costa)

«Na Rota das Catedrais: Construções (d)e Identidades» apresenta 111 peças, algumas classificadas como Tesouros Nacionais, de 26 catedrais portuguesas, das atuais 20 dioceses, mais quatro antigas – Bragança, Coimbra, Elvas e Silves -, e ainda duas concatedrais, a de Miranda e a de Castelo Branco. O visitante tem ainda duas instalações em vídeo.

“Com recurso a uma museografia atrativa, didática e contemporânea, destaca-se pela sua abrangência territorial, amplitude cronológica (século VIII ao século XXI), e diversidade das obras apresentadas, do mobiliário à ourivesaria, passando pela pintura, paramentaria, escultura e outras alfaias litúrgicas”, lê-se no site do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja (SNBCI).

A exposição foi inaugurada a 26 de junho e pode ser visitada até ao fim deste mês, dia 30 de setembro, na Galeria D. Luís do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.

No âmbito da exposição «Na Rota das Catedrais: construções (d)e identidades» o Palácio Nacional da Ajuda recebe o seminário «As catedrais portuguesas: lugares de memória», a partir das 10h00 (programa), do dia 26 de setembro. A participação é gratuita, com inscrição prévia – geral@pnajuda.dgpc.pt – e entrega certificado de presença. É coorganizado em parceria pela Direcção-Geral do Património Cultural e pelo SNBCI.

A mostra nacional faz parte do projeto «Rota das Catedrais» que resulta do acordo de cooperação entre o Ministério da Cultura e a Conferência Episcopal Portuguesa assinado em 2009

O bilhete da exposição tem um custo de 5€, 50% de desconto para estudantes e seniores, e as crianças até aos 12 anos não pagam.
Já os museus e monumentos nacionais geridos pela Direção Geral do Património Cultural têm entrada gratuita aos domingos e feriados até às 14h00, como o Palácio Nacional da Ajuda.

Palácio Nacional da Ajuda – Largo da Ajuda, 1349-021 Lisboa
Coordenadas GPS: 38°42’27.49″N 9°11’52.16″W
Todos os dias, exceto quartas-feiras, das 10h00 às 18h00
Bilhetes: 5 euros (exposição); ou 8 euros (exposição e visita ao Palácio)

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«Para a vida toda…» – Irmã Elisabete Semedo

O meu nome é Elisabete Semedo, tenho 31 anos, sou natural do Vale da Amoreira, Moita-Setúbal. Venho partilhar convosco de forma simples o que tem sido a minha aventura com Jesus.

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Tive uma educação cristã e recordo que o dia da missa era especial lá em casa, e como a minha mãe nos explicava e nos fazia ver, na sua simplicidade, a diferença daquele dia.

Fiz o percurso catequético dito “normal”; no 7.º ano de catequese a minha catequista falou-nos de S. Francisco de Assis, lembro-me de como me encantou e ficou na memória o facto de ele ter deixado tudo para seguir Jesus. Continuando o meu percurso de jovem cristã, fazendo parte do grupo jovens recebi um convite para participar num convívio fraterno, ao qual fui, no final, escutei uma frase que me deixou muito inquieta e à procura de onde e como Deus precisava de mim: “Deus precisa de ti muito mais do que possas imaginar”.

Nesta busca comecei a participar mais na Eucaristia e a pertencer ao grupo de acólitos. Sentia-me muito feliz, pois pensava que era ali que tinha encontrado a resposta clara e concreta. Mas não, mais uma inquietação, ao escutar num momento de formação e oração: “Quem perde a sua vida por Mim encontrá-la-á”.

Será que Deus me chama a dar a vida? Mas como?? O que fazer??? O que é dar a vida??? Com quem falar??
Falei com o meu pároco que me ajudou e acompanhou até conhecer as Irmãs Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora.

Quando conheci as Irmãs comecei a participar em encontros vocacionais e percebi que pela forma simples e alegre de acolher, viver a entrega/doação, estavam a dar a vida por Jesus, e o mais impressionante, é que estavam a viver a espiritualidade daquele jovem que me fascinou, pela sua radicalidade de vida e entrega a Jesus (S. Francisco de Assis).

Ao longo do meu percurso como jovem e em formação à vida religiosa, fui caminhando com os jovens do Giofrater (Juventude Franciscana Missionária de Nossa Senhora), esta proximidade com este Movimento juvenil ajudou-me a perceber a importância de caminhar com os jovens e de como é necessário um acompanhamento, para que possam perceber o seu lugar no mundo e na Igreja.

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Atualmente uma parte da missão que me confiaram passa por colaborar na pastoral juvenil e vocacional da minha Congregação (franciscanas.pt); caminhamos juntos jovens e Irmãs, para continuarmos a perceber a vontade de Deus nas nossas vidas e os desafios que Ele nos coloca na nossa realidade concreta, é bom vê-los crescer na consciência de serem cristão empenhados em Igreja e isso também me ajuda a continuar a dar o meu sim na vocação a que Deus me chama.

Hoje como Irmã Franciscanas Missionária de Nossa Senhora percebo melhor o que é dar a vida, o que é perder a vida por amor, deixando tudo para que Jesus seja o TUDO da minha vida, procurando em cada dia ser instrumento de unidade e comunhão nas Suas mãos…

Para terminar posso dizer que a minha aventura com Jesus começou de forma mais consciente no dia em que saí da casa dos meus pais para fazer uma experiência com as Irmãs Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, no dia 15 de setembro de 2007.

Depois destes 11 anos de caminhada, é na mesma data, 15 de Setembro de 2018, que diante de todos os que vão participar nesta celebração me comprometo a seguir Jesus por toda a minha vida. Por isso não há frase melhor que descreva este momento: “ Senhor a ti me entrego”.

Como símbolo as minhas mãos abertas e vazias se colocam diante de Deus que me ama e dos outros com quem me cruzo aos quais posso dar a conhecer Deus-Amor.

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Convívios Fraternos organizam congresso e encontro nacional

O movimento dos Convívios Fraternos promove o 45.º encontro nacional intitulado «Haja Festa de mãos dadas», que inclui o congresso «Novos Rumos», entre 7 e 9 de setembro, na Casa do Verbo Divino, em Fátima.

“Estes atos que vamos realizar, revelam os sentimentos de fé, de esperança e de alegria que inundam os corações de todos os jovens, casais e adultos, seja qual for o seu estado de vida e que fizeram, durante estes 50 anos, a inesquecível experiência do Convívio-Fraterno”, explica o fundador dos Convívios Fraternos em mensagem ao movimento.

O padre Valente de Matos recorda que com o início da Peregrinação da Cruz, enviada em Fátima no dia 10 de setembro, iniciaram as Celebrações Jubilares dos 50 anos de existência dos Convívios Fraternos para jovens e dos 25 anos de proposta do mesmo encontro com Deus, também para casais.

As Celebrações Jubilares, a nível nacional, vão acontecer no 45.º Encontro Nacional em Fátima, nos dias 7, 8 e 9 de setembro, com o 3.º Congresso Nacional nos dias 7 e 8, onde será acolhida a Cruz Peregrina, “depois de ser venerada em todas as dioceses e em Moçambique e Paris pelos convivas de Portalegre e Castelo Branco, onde se realizou o 1º Convívio Fraterno”.

Foto: Diocese de Setúbal/AS

Cruz Peregrina na Diocese de Setúbal Foto: Diocese de Setúbal/AS

“Fazemos as mais ardentes votos e a todos desafiamos, para que generosa e corajosamente respondam a este apelo: Neste ano Jubilar vamos estar todos, mas mesmo todos os que pudermos, presentes no 3º Congresso e Encontro Animação Nacional para que, em “festa” e todos de “mãos dadas” possamos traçar “Novos Rumos” às nossas vidas e ao nosso querido movimento que somos todos nós”, desenvolve o padre Valente de Matos.

Programa congresso «Novos Rumos»

Sexta de manhã: Mesa Redonda sobre a História e Frutos do Movimento

Sexta à tarde: Espaço para Trabalho em Grupo sobre diversas temáticas e apresentação dos respectivos resultados.

Sábado de manhã: Definição de pontos de ação e responsabilidades.

Temas, entre outros: Atividades ou Encontros/Retiros de Preparação do CF; Materiais (Caminho de Libertação, Livro de Conviva, etc); Actualidade do Cristo Jovem; Actividades ou Encontros/Retiros de Pós-Convívios; Comunicação do Movimento (Redes Sociais e Divulgação).

“Este congresso representa uma oportunidade única para celebrar, fundamentar e posicionar o Movimento 50 anos depois do 1º Convívio Fraterno.”

Data limite de inscrição: 31 de agosto

Para “qualquer dúvida, sugestão ou comentário” a Equipa de Organização do Congresso Nacional tem o endereço de email – congresso50cf@gmail.com – e existe um site do encontro, em: https://congresso50cf.wordpress.com/, e um evento criado pelos Convívio Fraternos da Diocese de Setúbal.

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«Viver uma semana diferente» em Taizé

O grupo de jovens MissionArte vai participar na semana especial de reflexão da Comunidade de Taizé, para jovens dos 18 aos 35 anos, de 19 a 26 de agosto.

A Marisa Well vai viver a sua primeira experiência na comunidade ecuménica e a Ana Inês Agostinho regressa à “colina”. Antes da peregrinação partilharam o seu testemunho.

“Viver uma semana diferente, renunciando os luxos e vivendo apenas com o essencial à vida humana, com a esperança de trazer de lá a capacidade de reconhecer, cada vez mais, o amor de Cristo por cada um de nós” – Grupo MissionArte

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«Taizé um sonho tornado realidade» – Marisa Well

Numa grande caminhada que temos feito enquanto grupo de jovens, temos sempre alimentado este carinho especial por Taizé, íamos fazendo orações na nossa comunidade e participando noutras, até que houve a ideia de irmos lá.

Este foi o ano escolhido, uma viagem longa de autocarro com destino a Taizé. Sem grandes luxos, apenas o indispensável à vida humana, tirar uma semaninha numa pequena colina do mundo, junto de jovens de todas as nacionalidades, mostrando que não existem barreiras linguísticas.

As expectativas são elevadíssimas, todos alegres e ansiosos, esperamos tudo de melhor, alegria, calma, eloquência, amor, fraternidade, exceto a comida que já ouvimos dizer que poderá não ser a mais saborosa, mas acima de tudo temos esta esperança de trazer de lá a capacidade de reconhecer, cada vez mais, o amor de Cristo por cada um de nós, e de refletir sobre a Igreja no mundo.

Marisa Well_taizé_2018 (2)De muitos testemunhos que já ouvi, onde me diziam que Taizé era como um oásis de fé e amor, de simplicidade e alegria, houve um que me marcou profundamente, uma pequena frase do Santo João Paulo II que dizia: “Passa-se por Taizé, como se passa por uma fonte”.

Ele diz-nos que Taizé é como um marco na nossa vida, vamos lá e reabastecemos nos, para depois podermos ser luz e testemunho para os outros que nos rodeiam.

É nas orações diárias, no serviço comunitário, no clima de serenidade e na alegria de outros jovens que espero encontrar lá, a confiança e esperança que muitos falam, saciar esta sede para que eu própria possa ser testemunho na minha vocação.

 

«Ao Estilo Taizé» – Ana Inês Agostinho

Em 2015, eu e a minha irmã estreámo-nos em Taizé com o grupo de jovens da Bobadela. Grupo este que só conhecemos dias antes de partimos, mas que nos integrou com se dele fizéssemos parte.

Podem perguntar-nos: “Mas que vontade foi essa de conhecer Taizé?”

A verdade é que tínhamos muita curiosidade… Primeiro, por “culpa” de um jovem casal da nossa Paróquia que foi a Taizé e que de lá trouxe um “novo estilo de oração” que nos fazia rezar e cantar com poucas palavras, mas que tanto nos dizia. Depois, porque em 2004, acolhemos em nossa casa um casal polaco, que não conhecíamos de lado nenhum. Vinham para o 27.º Encontro Europeu de Jovens organizado pela Comunidade de Taizé, em Lisboa, onde participaram cerca de 40.000 jovens. E para ajudar, sempre que ouvíamos alguém a falar de Taizé, sentíamos que só podia ser um lugar onde Deus está bem presente.

Na nossa estadia em Taizé, apercebemo-nos que este é mais do que um lugar escondido no Este de França, onde os Irmãos recebem milhares de pessoas e as conduzem a um encontro profundo consigo, com os outros e com Deus. É uma oportunidade de comunhão entre pessoas distintas, religiões, culturas, deveres… Unidas pelo amor a Nosso Senhor.

Pequeno Grupo de Partilha

No início da semana, cada jovem pode disponibilizar-se a participar num dos vários afazeres da comunidade, desde ir para a horta, participar no coro, cozinhar, limpar… Este compromisso é feito na liberdade de escolha, mas ajuda saber que viver em Taizé é “dar e receber”.

Imaginem-se a viver uma semana com jovens de todo o mundo, partilhando em pequenos grupos histórias de vida que foram lembradas por reflexões bíblicas ou simplesmente por se reverem no outro; em grupos maiores… leituras, músicas, jogos e danças tradicionais de cada país. E intercalado com toda esta “loucura” encontras-te em silêncio. O silêncio poderoso praticado em Taizé, que nos dá a oportunidade de nos encontrarmos connosco próprios, o que por vezes pode ser doloroso pela falta se acesso que temos tido ao mais intrínseco de nós, numa sociedade que nos faz viver sempre da “pele para fora”. É maravilhoso quando sentes que Deus também te habita e que fazes parte do mistério da Vida.

Oração ComunitáriaA oração individual e comunitária é a via de comunicação mais pura e que mais encontras em Taizé… Melhor do que um bom androide ou ipad, em que a bateria pode cessar. Daqui, “Taizé” transborda para cada recanto do mundo, onde as nossas intenções recaiam, e se unem num movimento convergente.

As minhas palavras não têm a força que almejava para descrever “Taizé” (lugar, estilo de vida e oração), por isso desafio cada um de vós a passar por Taizé, rezar no silêncio e viver na simplicidade de saber que “Só Deus basta”.

De 19 a 26 de agosto, voltarei a Taizé com o MissionArte, desejo “somente” que levemos Deus no coração e, o resto que venha por acréscimo!

[Grupo de jovens MissionArte; Taizé – semana de reflexão 2018]

A comunidade monástica de Taizé nasceu a 20 de agosto de 1940, com o acolhimento de perseguidos políticos, judeus e mais tarde prisioneiros alemães, por intermédio de Roger Schutz, um jovem pastor protestante suíço.

O irmão Roger nasceu em 1915, e quando tinha 25 anos foi para França, país natal da sua mãe, e fica na pequena aldeia de Taizé, a cerca de 360 quilómetros de Paris.

Atualmente, a comunidade ecuménica é constituída por cerca de 100 irmãos de várias igrejas cristãs, incluindo a católica, e para todos o irmão Roger escreveu uma regra, inspirada na tradição beneditina e inaciana.

«Nabonga»

Ana Lúcia Agostinho

Foi no dia 16 de julho que parti em missão rumo a Inharrime, Moçambique. Levava uma mala bem pesada com os contributos de muita gente que quis fazer chegar a sua generosidade às crianças apoiadas pelo Centro Laura Vicuña. Não fazia ideia do que iria encontrar, nem imaginava como seriam as pessoas me esperavam no meu destino. Sabia apenas que teria de confiar nos caminhos do Senhor, como diz o salmo que me acompanhou nos tempos de preparação: “O Senhor é meu pastor, nada me falta.” (Sl 23).

De facto, nada me faltou… Creio até que recebi em demasia!

Imagino que o que leva a maioria das pessoas a partir em missão é o desejo de dar a vida pelos outros, de servir o Senhor naqueles que mais sofrem. Pelo menos era essa a minha vontade: dar o máximo de mim, naquelas poucas semanas que estaria em Inharrime.

Mas, sabes aquela frase cliché “Recebi bem mais do que entreguei”? Gostava de te poder dizer algo mais original, mas não me ocorre nada mais real!

Assim que cheguei a Inharrime, fui “atacada” pelos mimos e a alegria contagiante das meninas do orfanato e pelo carinho das irmãs Filhas de Maria Auxiliadora que de tudo fizeram para me sentir em casa. “Esta é a tua casa, a casa que a tua comunidade ajudou a construir!” foram as primeiras palavras da Ir. Lucília Teixeira quando atravessámos o portão do centro. E em casa me senti desde o primeiro instante.

Ana Lúcia e a Ir. Lucília

Ana Lúcia e a Ir. Lucília

Não falo apenas das meninas e das Irmãs, sem esquecer o testemunho de entrega dos voluntários que lá encontrei. Falo também das famílias e das comunidades que tive o privilégio de conhecer. Gente simples que do nada que tem, tudo dá e põe em comunhão.

No dia 29 de julho, pude acompanhar a Ir. Aida numa missão pastoral a uma jovem comunidade, numa terra (ainda) sem nome. A comunidade reunia-se numa casa sem porta nem janelas, construída com folhas de coqueiro e telhado de chapa, os bancos eram troncos, muito baixinhos. Cá fora via-se um empilhado de blocos de cimento que, pouco a pouco, a comunidade ia juntando para construir a sua igreja.

As pessoas iam chegando, depois de terem percorrido longos quilómetros a pé. Uns traziam as flores, outros os instrumentos de percussão e, outros ainda, as toalhas e as capulanas para os acólitos e para as crianças. Cada um entregava os dons que tinha e o que sabia, tudo para que a comunidade pudesse viver com a maior das alegrias a Celebração da Palavra. Nesse dia, o evangelho de S. João falava-nos do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes (Jo 6, 1-15). Apesar de toda a celebração ter sido em chope (dialeto local), creio que nunca o compreendi tão bem. Aliás, senti-me a viver esse milagre!

Comunidade Católica

Comunidade Católica

Com estas pessoas aprendi que o Senhor não nos pede muito: apenas que entreguemos tudo o que somos, toda a nossa vida que é tão pequena e frágil. Sem medo, porque Ele não no-la tira; devolve-nos a vida revestida de uma alegria inimaginável! Como diz a Ir. Lucília, “a vida é linda” se a soubermos viver assim. Como eu gostava de o aprender!

O meu trabalho por lá era apenas “doar o meu tempo”: apoiar as meninas na sua aprendizagem, brincar com elas, contar-lhes histórias, ouvi-las e dar-lhes atenção. Tão simples, que até parece ridículo chamar-lhe “trabalho”. E este foi um tempo maravilhoso, dos melhores da vida!

Apoio ao estudo

Apoio ao estudo

Em Inharrime, pude testemunhar através da obra das Irmãs, como Deus age nas pequenas coisas e as transforma em tão grandes. Em 2005, as Irmãs iniciaram ali a sua missão, partindo do zero. Movidas pelo grito dos mais pobres e guiadas pelo amor e uma enorme confiança na providência divina, as Irmãs têm sido as mãos e o coração do Senhor na construção de uma obra que maravilha todos os que por lá passam. Hoje, o Centro Laura Vicuña apoia 70 meninas órfãs em internato e 50 meninas em semi-internato provenientes de famílias muito pobres; tem ainda uma escola pública com cerca de 2500 alunos; dedica-se à formação profissional dos jovens; e apoia o desenvolvimento da população local.

É grande e belo o que por lá se tem edificado. Contudo, todas as mãos fazem falta, porque muito há a fazer. E acredita que os 12 mil quilómetros de distância não são impedimento para trabalhar nesta vinha do Senhor!

Se quiseres, também tu podes ajudar. Sabe como em: www.amigosinharrime.pt.

De volta a Portugal, trago as malas bem mais vazias. Já o coração vem a abarrotar com os dons que do Senhor recebi no meio desta minha nova família, muita vontade de lá voltar e com uma palavra a ecoar: nabonga, obrigado!

Ana Lúcia Agostinho