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Caminhos de Santidade

A Pastoral da Juventude de Setúbal realizou, no passado fim-de-semana, 24 e 25 de maio, a Peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel. Uma atividade já com alguns anos de tradição na diocese e que este ano foi subordinada ao tema «Caminhos de Santidade», ainda no rescaldo da canonização de São João Paulo II, o Papa dos jovens.

De Azeitão ao santuário mariano do Cabo Espichel, pelos trilhos da Serra da Arrábida, em dois dias. Um caminho físico e espiritual: «Caminhos de Santidade». Foi esta a proposta que a Pastoral da Juventude de Setúbal apresentou e que proporcionou um momento de comunhão entre os jovens das várias paróquias da diocese. «Foi o Senhor quem nos congregou e enviou. Foi por Ele, com Ele e para Ele que caminhámos», disse-nos o diretor do secretariado, Padre João Nabais Dias.

Esclareceu ainda o sacerdote, que a peregrinação tinha como objetivo «despertar os peregrinos para esta vocação radical e universal do cristão, dando a conhecer a vida de alguns santos, de um modo mais acentuado do recém-canonizado São João Paulo II, assim como de testemunhos de pessoas que procuram percorrer, nas suas vidas, a radicalidade dos caminhos de santidade». Por este mesmo motivo, o caminho da peregrinação foi feito com a cruz que João Paulo II ofereceu aos Jovens Europeus nas primeiras Jornadas Mundiais da Juventude fora de Roma, em 1987, na Argentina. Esta cruz encontra-se em Portugal e estará em peregrinação pelo país até às Jornadas Mundiais da Juventude de 2016, na Polónia.

Com cerca de trinta participantes, e apesar de ser um número menor em relação a anos anteriores, o Padre João Dias sublinhou o facto de a maioria dos jovens ser estreante nesta atividade. «Foi interessante o desafio em caminhar com estes jovens que ao longo da peregrinação foram manifestando o desejo de encontrar formas e modelos para fazerem o seu próprio caminho ao encontro de Cristo», afirmou o diretor.

Ser santo: «Aceitei o desafio»

Andraws Santos, jovem de 19 anos de idade, da Paróquia de Fernão Ferro, contou ao Notícias de Setúbal como viveu esta peregrinação. «Neste caminho foram apresentadas várias propostas de encontro com Deus e fomos desafiados a entregarmo-nos a Ele. Pessoalmente, fez-me muito bem. Senti uma grande paz interior ao caminhar pelos montes, apreciando a paisagem e, ao mesmo tempo, estar em diálogo com Deus».

E acrescentou: «Esta peregrinação fez-me refletir sobre um tema que achava ser para os outros: a santidade. A santidade para mim era uma meta quase impossível. Estava enganado. Deus deu-me umas valentes tareias psicológicas que me fizeram abrir os olhos. Se os outros conseguiram ser santos, porque não hei-de eu conseguir? Aceitei o desafio d’Ele e comecei o caminho de santidade nesta peregrinação».

Ana Silva, de 21 anos, e Tiago Oliveira, de 23 anos, da comunidade de Penalva, Paróquia de Palhais, são um casal de namorados que também viveu esta peregrinação ao Cabo Espichel. Confessaram-nos que, para eles, foram dois dias marcantes: «Como casal foi emocionante viver esta peregrinação que tanto nos apelou para sermos santos e que nos deu testemunhos de como é possível fazê-lo, mesmo sendo jovens normais, com o dia-a-dia sempre preenchido, e com ‘tão pouco tempo’ para nos dedicarmos ao que realmente importa: Jesus. No fim desta caminhada, chegamos com a certeza que o nosso objetivo é sermos. Santos, santos para com os outros e santos no namoro».

No final da peregrinação, o diretor do secretariado diocesano da Pastoral da Juventude, Padre João Dias, manifestou a gratidão do secretariado aos diversos agentes pastorais que tornaram possível a peregrinação: «Louvamos o Senhor pelos catequistas, padres, responsáveis de grupos de jovens e chefes de escuteiros que fizeram o esforço de incentivar os jovens a participar. Foi gratificante sentir a comunhão e a partilha das várias pessoas, instituições paroquiais e do santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel, que em muito contribuíram para proporcionar uma verdadeira peregrinação física e espiritual aos jovens».

In Notícias de Setúbal, 30 de Maio de 2014.

A canonização vivida em São Pedro

Chegar a Roma por estes dias, em vésperas da canonização de dois Papas que marcaram indelevelmente a história da Igreja, é absolutamente esmagador. Milhares e milhares de peregrinos, de todas as partes do mundo, chegam para testemunhar, in loco, um acontecimento histórico. Muito por causa de João Paulo II, os polacos são a maioria. O Notícias de Setúbal viveu este momento, ao lado dos fiéis.

Em Roma, todos querem chegar cedo à Praça de São Pedro para garantir o melhor e mais próximo lugar junto do altar onde tudo irá acontecer: o dia em que dois Papas, Francisco e Bento XVI, canonizam dois Papas, João XXIII e João Paulo II. E assim é. Logo desde o meio dia de Sábado, 26 de Abril, ouvem-se testemunhos de peregrinos, alguns portugueses, que por ali foram ficando. A grande massa começa a chegar à Praça ao final do dia de Sábado e vêm dispostos a pernoitar.

Anoitece. Com a Praça de São Pedro já fechada, a Via della Conciliazione, avenida principal que liga Roma ao Vaticano, vai-se enchendo de fiéis. São muitos. Imensos. Milhares, a perder de vista. Uns rezam, outros cantam, outros descansam. Cria-se um ambiente de comunhão inexplicável com todos os que por ali estão e espera-se. Já perto da meia-noite, chegam notícias de que há peregrinos muito para lá da Via della Conciliazione. Abrem-se os portões intermédios para que possam ir avançando.

A partir desta altura, há momentos de tensão inevitáveis. O grande aglomerado de pessoas num espaço apertado assim o proporciona. A informação que chega por parte dos voluntários é de que as portas de São Pedro só abrem às cinco horas da manhã. E passam-se mais de cinco horas duras, difíceis, em pé, sem dormir. Jovens, idosos, crianças, famílias. Todos esperam.

Entretanto, o dia amanhece cinzento em São Pedro. Abrem-se os portões. Os peregrinos começam a entrar a conta-gotas e, à medida que se vai avançando, o coração bate mais depressa apesar das dores e cansaço provocadas pelas duras horas anteriores. Entramos, enfim. Procura-se um lugar o mais próximo possível da esplanada da Praça, onde a vista possa alcançar os Papas. Paramos. Sentamos. Esperamos. Espreitam lágrimas no canto do olho e o coração rebenta de gratidão por aquele momento.

Dois novos santos

A Praça de São Pedro vai enchendo. Mais tarde, sabemos que muitos dos peregrinos oriundos de Setúbal acabou por não conseguir entrar. São quase oito e trinta da manhã e começam a chegar os Cardeais, Bispos e Padres que vão concelebrar, bem como os vários Chefes de Estado e outras enti- dades civis e religiosas.

Eis que já mais perto do início da Eucaristia entra o Papa Emérito, Bento XVI. Uma imensa salva de palmas varre a Praça de São Pedro. É o Papa da humildade e da grandeza de coração. O Povo reconhece-o. Tão discretamente quanto possível, toma o seu lugar junto dos Cardeais e Bispos à esquerda da esplanada.

Às dez da manhã de Roma, menos uma hora em Portugal, entra todo o cortejo litúrgico e o Papa Francisco, que cumprimenta, ternamente, Bento XVI. O abraço entre os dois é belíssimo de testemunhar. Nova salva de palmas ecoa em São Pedro. Começa a cerimónia e a chuva começa a cair. O rito da canonização ocorre logo no início da Eucaristia. O prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, Cardeal Angelo Amato pede ao Papa Francisco que os beatos João XXIII e João Paulo II sejam inscritos no álbum dos santos. Francisco responde positivamente.

A Igreja tem agora dois novos santos, dois intercessores, dois modelos de vida que podem ser venerados pelos fiéis. Uma nova e gigantesca salva de palmas ultrapassa as portas de São Pedro, estende-se por toda a Via della Conciliazione e além dela. Há milhares e milhares de peregrinos espalhados por toda a cidade de Roma que não conseguiram chegar à Praça e que se detiveram diante dos inúmeros écrans gigantes. A Igreja terrena e, certamente, a Igreja celeste, estão em festa. Abrem-se raios de sol e a chuva para de cair.

Docilidade e Família no centro

As relíquias dos novos santos são levadas ao altar e incensadas. De João Paulo II, um pequeno frasco de sangue levado pela costa-riquenha Floribeth Mora Díaz, curada pela intercessão do Papa polaco após a sua beatificação. De João XXIII um pedaço de pele retirado aquando da sua exumação em 2000, levado por alguns dos seus familiares.

Na homília, o Papa Francisco realça a importância dos dois novos santos e de como fizeram avançar e crescer a Igreja. João XXIII através da convocação do Concílio Vaticano II, e João Paulo II, como responsável pela sua implementação num dos pontificados mais longos da História. Recorda o primeiro como o Papa da docilidade ao Espírito Santo e o segundo, que será o patrono das próximas Jornadas Mundiais da Juventude, como o Papa da Família.

Termina a Eucaristia. O ambiente de ação de alegria e ação de graças é transbordante. Aguardamos, pacientemente, que o Papa Francisco, depois dos cumprimentos a todas as entidades oficiais representadas na cerimónia, entre no papamóvel e passe pelos peregrinos na Praça de São Pedro. Assim o faz para júbilo de todos. Não há cansaço nem dores.

Com a rádio ligada, ouvimos os jornalistas italianos dizer que Francisco não sairá da Praça porque não estariam garantidas as condições de segurança para tal. A verdade, é que o Papa quebra uma vez mais o «protocolo» e avança, pela primeira vez em carro aberto, até ao final da Via della Conciliazione para saudar os milhares de peregrinos ali presentes.

Tempo de deixar o Vaticano e regressar a casa. À medida que nos afastamos da Praça de São Pedro, nós e todos os outros peregrinos, vai crescendo o silêncio ansioso pelo descanso, mas também o silêncio de um coração jubiloso, orante e agradecido. Quatro Papas e a Igreja em festa.

In Notícias de Setúbal, 2 de Maio de 2014.

Dia Mundial da Juventude 2014

Bom dia :)) Este post vai no sentido de partilhar um pouco daquilo que foi feito ontem (domingo de ramos) no Dia da Juventude…

Eu e a Ana Sousa achámos que seria importante partilhar!

Assim sendo, podemos dizer-vos que ontem foi um dia maravilhoso em vários aspectos!!

Para além do divertimento habitual que se tira deste tipo de encontros, aprofundamos também o conceito de “Caridade e serviço” vivendo a bem-aventurança que o Santo Padre nos destinou a este dia da juventude: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos Céus “.

Para tal, após ouvirmos dois testemunhos de vida sobre estar ao serviço à comunidade, vendo nos necessitados o rosto de deus, e da adoração ao Santíssimo, fomos enviados à “Casa da alegria”, casa essa que está ao cuidado das irmãs da congregação de Madre Teresa de Calcutá e que recebe bebés, crianças e jovens com deficiência, cujas famílias não tem como cuidar delas e que por isso ficam ali institucionalizadas, à mercê da tal caridade e voluntariado que venha de fora e que sirva de auxílio às irmãs.

Assim que lá chegámos já tínhamos os meninos preparadinhos nos seus carrinhos e cadeiras para que fossemos passear com eles!

Depois de uma brevíssima visita à casa, não perdemos tempo e fomos com eles passear até ao rio, apanhar sol e contactar com outros estímulos!  Foi muito bonito aquele passeio e a alegria ma cara daquelas crianças! Passou de um “coitadinhos estao naquela situação” a um “que bom poder fazer algo por estas crianças, que bom que elas estejam felizes”!!

Talvez se tenham mudado mentalidades naquele momento  lá tivemos de regressar e fomos recebidos por uma irmã que nos explicou em que é que se fundamenta a ordem delas e de que conceito partiu a sua obra, que veio da frase que Jesus Cristo disse na cruz “tenho sede!”.

Em traços algo gerais foi isto que se passou  foi um bonito dia!!

Rute Guerreiro (Feijó)

Via Sacra Jovem 2014

A Via-Sacra do SDPJ no Seixal foi um momento único. Havia uma força maior presente naquela noite e isso era visível no rosto de cada um de nós. As leituras e as reflexões foram muito especiais.

No silêncio da noite, escutava aquelas palavras e o meu coração ficava cheio. Mas o que me marcou profundamente foram as dinâmicas entre cada estação. Uma simples frase num pedaço de papel, um lenço com uma missão, um abraço em cadeia entre todos nós, uma vela acesa para cada um dos participantes, um simples prego com tanto significado…

E cada prego que era colocado na cruz, fazia o meu coração tremer.

Foram estes pequenos gestos que fizeram toda a diferença. É por estas actividades, e pelo amor que tenho em Cristo, que continuo a seguir o caminho que Ele nos ensinou.

Apenas tenho de dar graças pelo bom momento que nos foi proporcionado.

Pedro Nobre

Jovens A Caminho (Cova da Piedade)

Noite XL: de coração renovado ♡

Já o sol acordava quando me despedi, na praia junto ao Forte de S. Julião da Barra, desta Noite XL: foi uma noite muito especial que me ensinou, desafiou e me aproximou muito mais d’Ele.
A aventura, que começou no Largo do Carmo, em Lisboa, com cerca de 800 jovens, levou-nos até a uma Eucaristia única na Igreja de S. Roque e seguiu até Santo Amaro de Oeiras. Fomos convidados, na chegada à praia, a uma caminhada em silêncio, oração e de reflexão… Apenas com a luz das velas que levávamos na mão… Até chegarmos ao Forte. Foi um momento intenso e que me fez esquecer as horas e o cansaço…
Fomos recebidos, na escuridão da noite, por um espectáculo de música e luz lindíssimo, que me recordou a beleza e a simplicidade do Amor de Cristo quando julgamos estar sozinhos.
Já no interior do Forte conhecemos o que, há muitos anos atrás, muitos padres jesuítas sentiram na pele: a prisão, as privações e, até mesmo, a morte. Apesar de ter ficado com o coração apertado, foram esses mesmos testemunhos que me trouxeram força e ânimo, pelo seu exemplo de fé e pela sua entrega a Deus e aos outros.
Quando me questionar se serei capaz de ir mais além, de dar mais de mim e de sofrer mais um pouco, irei sempre lembrar-me do que vivi nesta noite.

A história repete-se

A história repete-se. 200 anos depois da restauração dos Jesuítas pelo Papa Pio VII fruto de uma de muitas perseguições de uma Ordem que pela sua sobriedade, calma, inteligência e fé cultivou no mundo os dons do ES: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade, Temor de Deus. O que fica da noite XL: A importância de fazer memória; a importância de tentar ver mais além do hoje; a importância do legado e do abandonar-nos no mais essencial cultivando o respeito e a paz.

Para os meus camaradas Ricardo e Fabio pela 2ª noite XL, e pelos “rookies”David, Daniel e Marta, obrigado!

“Porque toda a vida vem de Ti, em tua Luz, vejo a Luz
Porque toda a vida vem de Ti, e a Tua Luz, faz-me ver a Luz.”

É por dentro que as coisas são

Há uns meses estava a preparar uma atividade para adolescentes quando tropecei numa frase de um poeta chamado Raul Brandão que dizia “é por dentro que as coisas são”. É uma frase de uma profundidade incrível, mas na altura acabei por optar por trabalhar uma outra frase qualquer e nunca mais pensei no assunto. Até este domingo.

Passei este dia de domingo em retiro, na casa de Palmela das Escravas. A proposta era passar um dia em silêncio, com pistas de meditação para “arrumar as ideias” e tempo de oração pessoal. Fórmula simples e eficaz. Casa cheia.

As pistas eram naturalmente centradas num tema quaresmal: “fazer-me pobre” para “enriquecer os outros com a minha pobreza”. Vários momentos, várias pistas e várias dicotomias (por exemplo, Marta vs Maria, Fariseu vs Publicano e os Ricos vs Viúva) para nos ajudar a compreender as nossas escolhas e a apontar o caminho.

No meio de tantas pistas e ideias, uma delas chamou-me à atenção: “optar pelo essencial”. S. Inácio dizia que é preciso ter atenção à “vida não concentrada no essencial” porque é “preciso saborear as coisas por dentro”!

Saborear as coisas por dentro… sinto que de alguma forma esta ideia foi amadurecendo em mim porque a associei logo com a tal frase do poeta “é por dentro que as coisas são”.

Quantas vezes sinto que ficamos no superficial e não nos preocupamos em descobrir o profundo que há nos outros. Gastamos tanto tempo e energia a criar juízos de valor com base naquilo que é exterior. Não aprofundamos, não descobrimos a raiz, a causa, o centro dos problemas. Ficamos pela rama e julgamos “por fora” sem nos colocarmos nos “pés” dos outros e sem “sofrer o que eles sofrem”. Para chegar ao verdadeiro e para os podermos compreender, há que que descobrir o que “está lá dentro”.

Não podemos apenas atuar por fora. É fundamental começar por dentro.

É por fora que as coisas se mostram, mas de fato, é “por dentro que as coisas são”!