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Promessa e Tarefa – Semana de oração pelos Seminários 2017

Muitos dizem que os ‘ses’ são o deus dos ignorantes, mas, em certas ocasiões, vale a pena ‘usá-los’, não para alimentar fantasias, mas para sublinhar uma ideia forte. Considerando esta última situação, atrevo-me a usar um ‘se’ em jeito de pergunta exclamativa, nesta semana em que toda a Igreja de Portugal é convidada a rezar pelos nossos seminaristas: e se deixasse de haver padres?!

Não obstante todos os limites mais ou menos óbvios da nossa humanidade – ‘nossa’ referente a nós, padres – ouso afirmar que a existência humana seria mortalmente dramática sem padres. Grande parte das estruturas de apoio social não existiriam no nosso país. A vida familiar teria muito mais dificuldade para viver no perdão. Muitos doentes, órfãos, presos, desempregados e idosos viveriam muito mais desconsolados. O sepultamento dos mortos seria feito com menos esperança. O mundo do trabalho seria muito mais injusto. O acompanhamento e educação das crianças, adolescentes e jovens seria muito mais difuso e sombrio. A ciência mais limitada. O mundo das artes e do desporto menos verdadeiro. A certeza e eficácia da paz com o mundo, os outros, nós próprios e Deus seria enganadora. Sem padres deixaríamos de ter Eucaristia e a Reconciliação. Não nos poderíamos alimentar e viver de Jesus!

Sendo intelectualmente honestos, chegamos à conclusão de que não pode deixar de haver padres! De facto, esta é simultaneamente uma vontade do Senhor e uma Sua promessa: «Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração» (Jer 3,15).

Esta semana é para nos lembrarmos desta promessa de Deus. É certo que é uma promessa que nos descansa, mas ela torna-se tarefa para todos nós. Tarefa para entender que o Seminário é lugar vital para a nossa vida e a vida da diocese. Tarefa enquanto convite para tirar tempo para agradecer os 25 anos de existência do nosso Seminário diocesano e pelos mais de trinta padres que formou. Tarefa para que ao longo desta semana nos dediquemos ainda mais à oração pelos nossos seminaristas, pedindo que se configurem mais e mais ao coração do Bom Pastor. Tarefa para cada família desejar com fervor que do seu seio nasçam filhos com o desejo de servir Jesus como padres. Também tarefa para cada rapaz fazer, com a audácia e sinceridade da fé, como o D. Manuel Martins dizia: «Entra em ti. Procura descortinar se Jesus te chama e se Jesus te pisca o olho, não hesites. Serás o jovem mais feliz do mundo, até porque deixaste de ser tu, para seres Ele. Conheces a conversa de um padre feliz com Jesus: “Senhor, quem és Tu?” – “Eu…sou tu”. Que maravilhoso é o nosso Deus!»

Pe. Rui Gouveia, reitor do Seminário de Almada

Mensagem do Diretor – Um tempo que nos é dado

Padre João Dias, Director da Pastoral da Juventude de Setúbal

Padre João Dias, Director da Pastoral da Juventude de Setúbal

Caríssimos Jovens,

Apesar de o ano pastoral já estar em curso, não queria deixar de vos saudar e encorajar para os desafios e compromissos que cada um dos vossos grupos ou movimentos juvenis se propõe concretizar. Em todos eles, é Jesus quem guia.

Talvez os mais atentos já se tenham perguntado: “Onde está o calendário da Pastoral da Juventude para este ano?”. Gostaria de vos dizer que, apesar de uma aparente apatia, a Pastoral da Juventude de Setúbal não se encontra inativa, mas sim em tempo de reflexão e consolidação.

Primeiro, porque existiram mudanças na equipa que compõe este secretariado diocesano, com algumas saídas e outras entradas. E aqui, não posso deixar de expressar um sentimento de gratidão pelo serviço e pela amizade daqueles que partiram para novos desafios, assim como pelo “sim” dado pelos novos elementos, com quem contamos para um novo dinamismo e um novo olhar, perseguindo a mesma missão a que fomos chamados: “Dar a conhecer Jesus Cristo aos jovens”.

Depois, dizer que a abordagem do secretariado pretende, este ano, ser diferente dos anteriores, fruto dos novos desafios que foram recentemente lançados e que serão as linhas orientadoras para os próximos anos pastorais.

O Sínodo dos Bispos sobre a Juventude que se irá realizar em outubro de 2018 será (esperamos!) um grande momento. Este é um tempo em que a Igreja dá uma especial atenção à realidade dos jovens dentro da própria Igreja, mas também no mundo. E é necessário que nós, jovens, enquanto Igreja Diocesana, nos deixemos envolver nesta lógica sinodal. Somos convidados a estar em comunhão, para que possamos depois recolher frutos deste tempo que nos é dado.

Mas, até ao tempo da recolha dos desejados frutos (e para que eles existam!) são necessários outros cuidados e trabalhos prévios. A nossa diocese já iniciou esta preparação aquando da mobilização e auscultação dos responsáveis de todos os grupos e movimentos diocesanos para resposta ao questionário do Documento Preparatório do Sínodo da Juventude, pelo que será agora necessário refletirmos essas mesmas respostas.

Este trabalho leva-nos a outro desafio para este ano pastoral, que se prende com a estrutura e organização da Pastoral da Juventude na nossa diocese. Esta é uma preocupação já manifestada pelo nosso Bispo, D. José Ornelas, com quem procuraremos fazer este caminho, para que possa a nossa Pastoral da Juventude ser uma verdadeira manifestação da voz de todos e de cada um dos jovens.

Contamos contigo para os novos desafios que nos são colocados, pois só nesta união como Igreja, na senda dos passos de Jesus, podemos ser sinal da Vida Nova que brota da vivência do Evangelho.

Fica atento às novidades que teremos em breve!

O Diretor da Pastoral da Juventude de Setúbal,

Pe. João Nabais Dias

Mensagem do Diretor – Caminhar na Misericórdia

Padre João Dias, Director da Pastoral da Juventude de Setúbal

Padre João Dias, Director da Pastoral da Juventude de Setúbal

O ano pastoral já se iniciou e também o secretariado da Pastoral da Juventude irá começar a lançar as propostas para este ano. Um ano de caminho na senda da Misericórdia de Deus. É este o desafio que o Papa Francisco nos lança ao convocar o Jubileu da Misericórdia.

Somos convocados a entrar na dinâmica de nos tornamos próximos, de nos compadecermos com os padecidos, de ter um coração (-córdia) sensível ao sofrimento e às misérias (Miseri-) do homem, à semelhança de Cristo que, pela Sua encarnação, assume as nossas misérias, para que, pelo Seu Coração, possamos ser redimidos.

A Misericórdia é também o mote para os jovens, continuando a reflexão sobre as Bem-aventuranças, no seguimento do triénio de reflexão proposto pelo Papa à juventude. «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão Misericórdia» será o tema que nos alimentará nas Jornadas Mundiais da Juventude de Cracóvia, nas quais iremos participar.

Esta é uma peregrinação em resposta ao Papa que nos convoca, mas é, simultaneamente, um momento de encontro com os jovens católicos de todo o mundo, no qual a expressão da comunhão eclesial nos fortifica, desafia e envia, a viver e a levar a todos, a Misericórdia que jorra do Coração de Jesus, num fazer-me próximo das realidades de miséria com que vamos sendo confrontados. Saibamos aprender a Misericórdia para a viver no dia-a-dia.

Temos também a alegria de acolher o novo Bispo, D. José Ornelas de Carvalho, que na sua entrevista ao semanário diocesano, Notícias de Setúbal, nos desafia a ser «protagonistas do caminho da Diocese».

Aceitemos este desafio, dando sinal do nosso desejo de servir a Deus e à Igreja, a começar já no dia 25 de Outubro, no dia da sua tomada de posse. Queremos ser sinal, com a nossa presença, de querer assumir este «protagonismo», sendo prova de que os jovens não são do amanhã, mas do hoje.

Pe João Nabais Dias

Mensagem do Diretor – Ver a Deus

Padre João Dias, Director da Pastoral da Juventude de Setúbal

Iniciamos mais um ano pastoral com a alegria de quem procura Deus. Desejo que nos habita, caminho que precisa ser percorrido com a certeza de que não caminhamos sós. A Pastoral da Juventude quer contigo, em mais um ano, proporcionar-te momentos que te levem ao encontro com Deus e ajudar-te a preparar para esse encontro.

Este ano teremos como nosso horizonte caminhar sobre o tema da Bem-aventurança que o Papa nos pede para refletir: «Felizes os puros no coração porque verão a Deus (Mt 5,8)».

Deve este caminho ser tempo de preparação para o encontro com Senhor, de nos moldarmos e purificarmos de tudo aquilo que nos afasta do Amor de Deus, de tudo aquilo que não permite que O vejamos.

Por mais que seja este caminho tortuoso, não deve desvanecer a nossa esperança pois o Senhor dá-nos meios para superar as nossas dificuldades. Este é um caminho espiritual que nos deve transformar, de dentro para fora, de modo a que essa transformação nos leve a agir.

Neste ano em que celebramos o quadragésimo aniversário da fundação da nossa Diocese, somos convidados a percorrer este caminho com Maria, pois caminhar com Ela é certeza de encontrar Deus. Procuremos viver da alegria que inundou a alma de Maria, quando o Senhor a chamou a ser mãe d’Aquele que tornou possível fazermo-nos mais próximos de Deus.

Espero e rezo para que este ano seja frutuoso na caminhada nas vossas paróquias, grupos e/ou movimentos. Do mesmo modo também anseio convosco fazer caminho.

Pe João Nabais Dias

Georges Rouault, Jesus reviled, 1922-1927

Mensagem do Director – Quaresma 2014

Padre João Dias, Director da Pastoral da Juventude de Setúbal

Hoje celebramos a quarta-feira de cinzas, celebração litúrgica que nos introduz ao tempo da Quaresma. As cinzas são sinal, que já na cultura judaica, simbolizam a penitência. É assim um tempo onde somos chamados a intensificar o exercício da oração, do jejum e da esmola.

Não que Deus se compraza no nosso sofrimento, mas é caminho que nos conduz à liberdade, à conversão, à vida…, em suma, ao projecto que Deus tem para cada um de nós. Pela cinzas que nos são impostas, um elemento da natureza, que na liturgia se torna um símbolo sagrado, é sinal que nos leva a olhar para o relato da criação e ver que Deus formou o homem do pó da terra e que o insuflou com o sopro divino (cf. Gn 7, 4). Recordando a nossa condição humana, a nossa fragilidade; mas também recorda que a vida que nos habita é nos concedida por Deus, dando ao homem meios de alcançar a salvação que nos fez chegar pelo Seu Verbo encarnado.

O Secretariado da Pastoral da Juventude, por meio de um itinerário pretende ajudar-te a fazer caminho neste tempo. Na verdade quer falar-te de «5 passos para um caminho da reconciliação»: (Exame de Consciência, arrependimento, propósito de emenda, confissão dos pecados e penitência), onde o sacramento da confissão é meditado e iluminado pelas passagens do Evangelho de cada domingo da Quaresma.

Escutando o nosso Bispo, D. Gilberto, na sua mensagem Quaresma deste ano, quando nos diz não passemos pela «Quaresma como quem dorme» , não nos conformemos no nosso comodismo, nem nos deixemos ficar presos na nossa indiferença. Que procurando o silêncio, longe dos ruídos do mundo que nos entorpecem, possamos escutar a voz do Senhor que nos quer falar, e deixarmo-nos transformar no seu Amor. Procuremos neste tempo de Quaresma libertar-nos do que é acessório, para que focados no essencial possamos estar disponíveis para o que realmente dá sentido à nossa vida – Cristo.

Pe. João Luís Nabais Dias

Mensagem do D.Gilberto, Bispo de Setúbal na Quaresma de 2014

Jesus fez-se pobre para nos enriquecer com a sua pobreza

D Gilberto, Bispo de Setúbal

D Gilberto, Bispo de Setúbal

 

Caros diocesanos,

Anuncio-vos que a Igreja vai iniciar na quarta-feira de cinzas, dia 5, a caminhada quaresmal para o encontro festivo com Jesus Ressuscitado na Sua Páscoa. Quem de nós não precisa de encontrar Cristo Glorioso e de fazer a experiência de viver a vida a partir do encontro re+criador com o Senhor que venceu a morte e nos capacita para vencer o pecado, o vazio interior e a solidão?

Venho convidar-vos a percorrer com verdade e com alegria este caminho para Cristo que é a exercitação quaresmal, na comunhão e no espírito da Igreja.

Para isso indico-vos algumas pistas.

Lede a mensagem do Santo Padre para esta Quaresma. Assimilai-a, deixai-vos interpelar por ela e divulgai-a. Tem um titulo sugestivo (Jesus) fez-se pobre para nos enriquecer com a sua pobreza”. E o comentário, ao jeito do Papa Francisco a este versículo da Bíblia, é muito belo.

A partir desta mensagem, aceitai comigo o desafio de com Jesus nos fazermos pobres para enriquecer os outros com a nossa pobreza como Ele fez.

Para nos ‘para nos fazermos pobres e enriquecermos os outros com nossa pobreza’ realizai – e ajudai as nossas crianças e os nossos doentes a realizar – os três grandes exercícios de santidade que a Igreja oferece: a oração, o jejum e a esmola. São exercícios inseparáveis entre si. Não se realiza bem um deles, menosprezando os outros. Na verdade, não reza bem aquele que reza muito mas que não é conduzido pela oração ao jejum do seu ‘eu egoísta’ para escutar o que Deus lhe pede. Também não reza bem aquele que não se esforça por partilhar de verdade os seus bens – e o bem principal é a vida – para que os outros sejam felizes… Também não conseguirá jejuar do ‘ egoísmo’ nem dar os seus bens e a vida pelos pobres, para os integrar plenamente na comunidade o fiel que não se coloca, diante de Deus, no silêncio orante.

Vencei a tentação de dizer ‘eu não preciso de conversão’. Evitai a tentação daquele que, embora dizendo ‘sou muito pecador’, não reconhece em concreto este e aquele pecado nem se esforça com sinceridade por mudar de vida nem emprega os meios recomendados pela Igreja para isso, nomeadamente a confissão. Não digais ‘não tenho tempo’. Fazê-lo, seria de algum modo afirmar que na vossa escala de valores Jesus não está em primeiro lugar.

Não passeis pela Quaresma como quem dorme. Fazei tudo para que a Quaresma passe por vós, entre na vossa vida e vos una a Jesus, fonte da alegria que dá encanto à vida. Ninguém se torna esbelto se fica a olhar os que fazem ginástica sem fazer, ele mesmo, os exercícios. Ninguém se torna parecido com Cristo ‘pobre para nos enriquecer’ se não realiza os exercícios da oração, do jejum e da esmola com a profundidade que eles têm e aceitando o esforço que os acompanha.

Quem está desperto ponha-se a caminho e não avance sem despertar os outros para a nova oportunidade de nos tornarmos discípulos de Jesus com um coração sábio, recto e perfeito como o d’Ele e para a nova oportunidade de fazer a experiência de Jesus Ressuscitado. Lembra i-vos de que com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria’ para nós, para a igreja e para a sociedade.

Rezai por mim, rezai uns pelos outros, rezo por vós e a sobre todos imploro a bênção de Deus, nosso Pai.

Setúbal, 25 de Fevereiro 2014

+ Gilberto, Bispo de Setúbal

 

P.  S.  O  Contributo  Penitencial  de  2013  permitiu  os  seguintes  apoios,  como  tinha  sido comunicado:  Fundo  de  emergência  Diocesano  20.040,00;  Centro  para  Idosos  em  S.  Tomé  e Príncipe: 4.294,00; Refugiados católicos na Síria: 4.294,00. Deus abençoe a nossa generosidade.

O Contributo Penitencial deste ano é para apoiar a vítimas do tufão acontecido, há meses, nas Filipinas e um terço é para ajudar a construir a igreja do Faralhão, em Setúbal. É um meio de nos ‘fazermos pobres para enriquecer os outros com nossa pobreza’. Coragem.