«Viver uma semana diferente» em Taizé

O grupo de jovens MissionArte vai participar na semana especial de reflexão da Comunidade de Taizé, para jovens dos 18 aos 35 anos, de 19 a 26 de agosto.

A Marisa Well vai viver a sua primeira experiência na comunidade ecuménica e a Ana Inês Agostinho regressa à “colina”. Antes da peregrinação partilharam o seu testemunho.

“Viver uma semana diferente, renunciando os luxos e vivendo apenas com o essencial à vida humana, com a esperança de trazer de lá a capacidade de reconhecer, cada vez mais, o amor de Cristo por cada um de nós” – Grupo MissionArte

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«Taizé um sonho tornado realidade» – Marisa Well

Numa grande caminhada que temos feito enquanto grupo de jovens, temos sempre alimentado este carinho especial por Taizé, íamos fazendo orações na nossa comunidade e participando noutras, até que houve a ideia de irmos lá.

Este foi o ano escolhido, uma viagem longa de autocarro com destino a Taizé. Sem grandes luxos, apenas o indispensável à vida humana, tirar uma semaninha numa pequena colina do mundo, junto de jovens de todas as nacionalidades, mostrando que não existem barreiras linguísticas.

As expectativas são elevadíssimas, todos alegres e ansiosos, esperamos tudo de melhor, alegria, calma, eloquência, amor, fraternidade, exceto a comida que já ouvimos dizer que poderá não ser a mais saborosa, mas acima de tudo temos esta esperança de trazer de lá a capacidade de reconhecer, cada vez mais, o amor de Cristo por cada um de nós, e de refletir sobre a Igreja no mundo.

Marisa Well_taizé_2018 (2)De muitos testemunhos que já ouvi, onde me diziam que Taizé era como um oásis de fé e amor, de simplicidade e alegria, houve um que me marcou profundamente, uma pequena frase do Santo João Paulo II que dizia: “Passa-se por Taizé, como se passa por uma fonte”.

Ele diz-nos que Taizé é como um marco na nossa vida, vamos lá e reabastecemos nos, para depois podermos ser luz e testemunho para os outros que nos rodeiam.

É nas orações diárias, no serviço comunitário, no clima de serenidade e na alegria de outros jovens que espero encontrar lá, a confiança e esperança que muitos falam, saciar esta sede para que eu própria possa ser testemunho na minha vocação.

 

«Ao Estilo Taizé» – Ana Inês Agostinho

Em 2015, eu e a minha irmã estreámo-nos em Taizé com o grupo de jovens da Bobadela. Grupo este que só conhecemos dias antes de partimos, mas que nos integrou com se dele fizéssemos parte.

Podem perguntar-nos: “Mas que vontade foi essa de conhecer Taizé?”

A verdade é que tínhamos muita curiosidade… Primeiro, por “culpa” de um jovem casal da nossa Paróquia que foi a Taizé e que de lá trouxe um “novo estilo de oração” que nos fazia rezar e cantar com poucas palavras, mas que tanto nos dizia. Depois, porque em 2004, acolhemos em nossa casa um casal polaco, que não conhecíamos de lado nenhum. Vinham para o 27.º Encontro Europeu de Jovens organizado pela Comunidade de Taizé, em Lisboa, onde participaram cerca de 40.000 jovens. E para ajudar, sempre que ouvíamos alguém a falar de Taizé, sentíamos que só podia ser um lugar onde Deus está bem presente.

Na nossa estadia em Taizé, apercebemo-nos que este é mais do que um lugar escondido no Este de França, onde os Irmãos recebem milhares de pessoas e as conduzem a um encontro profundo consigo, com os outros e com Deus. É uma oportunidade de comunhão entre pessoas distintas, religiões, culturas, deveres… Unidas pelo amor a Nosso Senhor.

Pequeno Grupo de Partilha

No início da semana, cada jovem pode disponibilizar-se a participar num dos vários afazeres da comunidade, desde ir para a horta, participar no coro, cozinhar, limpar… Este compromisso é feito na liberdade de escolha, mas ajuda saber que viver em Taizé é “dar e receber”.

Imaginem-se a viver uma semana com jovens de todo o mundo, partilhando em pequenos grupos histórias de vida que foram lembradas por reflexões bíblicas ou simplesmente por se reverem no outro; em grupos maiores… leituras, músicas, jogos e danças tradicionais de cada país. E intercalado com toda esta “loucura” encontras-te em silêncio. O silêncio poderoso praticado em Taizé, que nos dá a oportunidade de nos encontrarmos connosco próprios, o que por vezes pode ser doloroso pela falta se acesso que temos tido ao mais intrínseco de nós, numa sociedade que nos faz viver sempre da “pele para fora”. É maravilhoso quando sentes que Deus também te habita e que fazes parte do mistério da Vida.

Oração ComunitáriaA oração individual e comunitária é a via de comunicação mais pura e que mais encontras em Taizé… Melhor do que um bom androide ou ipad, em que a bateria pode cessar. Daqui, “Taizé” transborda para cada recanto do mundo, onde as nossas intenções recaiam, e se unem num movimento convergente.

As minhas palavras não têm a força que almejava para descrever “Taizé” (lugar, estilo de vida e oração), por isso desafio cada um de vós a passar por Taizé, rezar no silêncio e viver na simplicidade de saber que “Só Deus basta”.

De 19 a 26 de agosto, voltarei a Taizé com o MissionArte, desejo “somente” que levemos Deus no coração e, o resto que venha por acréscimo!

[Grupo de jovens MissionArte; Taizé – semana de reflexão 2018]

A comunidade monástica de Taizé nasceu a 20 de agosto de 1940, com o acolhimento de perseguidos políticos, judeus e mais tarde prisioneiros alemães, por intermédio de Roger Schutz, um jovem pastor protestante suíço.

O irmão Roger nasceu em 1915, e quando tinha 25 anos foi para França, país natal da sua mãe, e fica na pequena aldeia de Taizé, a cerca de 360 quilómetros de Paris.

Atualmente, a comunidade ecuménica é constituída por cerca de 100 irmãos de várias igrejas cristãs, incluindo a católica, e para todos o irmão Roger escreveu uma regra, inspirada na tradição beneditina e inaciana.